“This is my favorite book in all the world, though I have never read it”.

Ame ou odeie, o que William Goldman faz com este livro é memorável.

The Princess BrideThe Princess Bride de William Goldman

Minha classificação: 4 de 5 estrelas

The Princess Bride foi publicado em 1973 por William Goldman e em 1987 deu origem ao filme homônimo, lançado no Brasil como A Princesa Prometida. Tanto livro quanto filme dividem opiniões, mas são clássicos exemplos de metanarrativa. O que Goldman faz com a história é extremamente satírico e inteligente.

A história começa com uma primeira frase muito intrigante:

“This is my favorite book in all the world, though I have never read it”.

Goldman, em primeira pessoa, conta que era um garoto que odiava ler, mas que durante um período adoentado na cama ouviu de seu pai uma história que o tornou um ávido amante de livros e, provavelmente, mudou seu destino. A história era The Princess Bride: S. Morgenstern’s classic tale of true love and high adventure. O que parece escapar a muita gente que lê o livro é que nunca houve um S. Morgenstern, sendo esse nada mais que um recurso narrativo para contar uma história dentro da outra.

O resultado é o seguinte: o garotinho (o próprio William Goldman) para o qual o pai lia a história de Buttercup (a princesa), Westley (o mocinho) e seus aliados se transforma em um escritor bem sucedido, mas cuja visão de mundo é cínica e autodepreciativa. Ele resolve dar de presente de aniversário para o filho uma cópia de The Princess Bride e, para seu desapontamento, o menino odeia o livro. É só então que Goldman diz ter se dado conta de que nunca havia de fato lido The Princess Bride, e que seu pai lhe contava apenas as partes boas da história, excluindo dezenas de páginas aborrecidíssimas do romance de S. Morgenstern. Então ele convence seu editor a publicar sua própria versão editada de The Princess Bride, “apenas as partes boas”. E então conhecemos através de Goldman a história de Buttercup e seu amado Westley, e do gigante de bom coração Fezzik, e do memorável espadachim Inigo Montoya, com sua frase muito conhecida por todos que já assistiram o filme:

“My name is Inigo Montoya. You killed my father. Prepare to die”.

Toda a narrativa, em si mesma cheia de sátiras e subterfúgios para contar histórias dentro de histórias, é inserida entre comentários de Goldman, que segundo ele podem ser pulados se aborrecerem o leitor rsrs…

De fato, a história dos personagens em si não me cativa muito. É cheia de sátiras (not my cup of tea), trechos engraçados, trechos comoventes, e a intenção não é aprofundar os personagens, que são rasos propositalmente, já que se trata de algo próximo dos contos de fada. O objetivo parece ser prender o leitor em múltiplas narrativas, construindo uma história, como o título diz, de “true love and high adventure”. Mas o que brilha mesmo nas páginas é o talento de Goldman, sendo esse livro muito mais focado na forma que no conteúdo, em minha opinião.

Outro ponto engraçado do livro é o fascínio de Goldman com rankins e números. Quando a história começa, por exemplo, Buttercup é a número 15 no ranking de mulheres mais belas.

No trecho abaixo, um dos meus preferidos, Goldman narra de forma inteligente e pouco usual o quão bom foi o primeiro beijo entre Buttercup e Westley:

“There have been five great kisses since 1642 B.C., when Saul and Delilah Korn’s inadvertent discovery swept across Western civilization. (Before then couples hooked thumbs.) And the precise rating of kisses is a terrible difficult thing, often leading to great controversy, because although everyone agrees with the formula of affection times purity times intensity times duration, no one has ever been completely satisfied with how much weight each element should receive. But on any system, there are five that everyone agrees deserve full marks.

Well, this one left them all behind”.

As falas dos personagens e diálogos estão sem dúvida entre os melhores e totalmente inesperados que já li na vida, como na cena entre o pai de Inigo Montoya e um nobre que lhe havia encomendado uma espada.

“The sword,” the noble said.

“The sword belongs to my son,” Domingo said. “I give it to him now. It is forever his. Good-by.”

“You’re a peasant and a fool and I want my sword.”

“You’re an enemy of art and I pity your ignorance,” Domingo said.

E do diálogo do bom e pacífico gigante Fezzik, obrigado pelos pais a se tornar um lutador competindo em todo o mundo, com sua mãe.

“Life is pain,” his mother said. “Anybody that says different is selling something.”

A Edição Ilustrada

A melhor edição deste livro que ainda pode ser encontrada é a ilustrada, publicada em 2013 em comemoração aos 30 anos de The Princess Bride. Trata-se de uma edição hardcover que traz uma introdução de William Goldman para a edição de 30 anos, a introdução feita na edição de 25 e dois trechos novos com uma nova conclusão para a história (já que The Princess Bride tem um final aberto). As opiniões são divididas em relação a estes trechos, a saber:

Buttercup’s Baby: An Explanation
Buttercup’s Baby, Chapter One: Fezzik Dies

Eu concordo que os dois trechos são desnecessários. Do ponto de vista narrativo é interessante não saber o que acontece depois. Ao mesmo tempo, creio que para quem leu a história na década de 70 deve ter sido emocionante saber o que houve com os personagens, mesmo que um deles morra, já que Goldman mais uma vez ri da cara do leitor colocando um spoiler no título do capítulo rsrsr…

A edição ilustrada é muito linda, e algumas ilustrações podem ser conferidas no Behance de Michael Manomivibul.

A propósito, é raro, quando temos personagens descritos como extremamente bonitos, que o filme atinja o ideal imaginado pelo leitor. Devo confessar que, em relação a Westley, o cast não decepcionou. Ele é interpretado por Cary Elwes, que eu não sabia que tinha sido tão bonito quando mais novo, e pela Robin Wright (a Clare, de House of Cards!), como Buttercup.

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