A biblioteca à noiteA Biblioteca à Noite
por Alberto Manguel

Minha classificação: 5 de 5 estrelas

Enfim reunindo seus livros em um só lugar, Alberto Manguel narra a construção de sua biblioteca no interior da França. A experiência pessoal é a desculpa perfeita para relatar ao leitor histórias e mais histórias de bibliotecas reais, ficcionais, imaginárias.

O livro é dividido em temas: mito, ordem, espaço, poder, sombra, forma, acaso, oficina, mente, ilha, sobrevivência, esquecimento, imaginação, identidade e lar. Em cada um deles o autor compartilha suas experiências na coleção e leitura de livros, e traz informações sobre figuras importantes – e nem tão importantes – na história do livro e, especialmente, sobre suas bibliotecas: Borges, Rabelais, Dickens, Adolph Hitler (16 mil livros!) e até mesmo o capitão Nemo, de Vinte Mil Léguas Submarinas, dentre muitos outros.

De Babel e Alexandria às bibliotecas públicas e memoráveis coleções particulares, Manguel recupera a relação do homem com seus livros, argumentando, por exemplo, que “toda biblioteca é autobiográfica”.

Sem dúvida é um livro para ser grifado do início ao fim, pois o autor nos brinda com trechos que fazem sentido a qualquer apaixonado por livros. Há três trechos, no entanto, que chamam especial atenção por descreverem um problema comum aos colecionadores:

Livros velhos, que conhecemos mas não possuímos, cruzam nosso caminho e se convidam para a biblioteca. Livros novos tentam nos seduzir diariamente com títulos tentadores e capas irresistíveis. Famílias clamam por ser reunidas: o volume XVIII das Obras completas de Lope de Vega é anunciado num catálogo, chamando pelos outros dezessete que, mal e mal folheados, aguardam na prateleira.

Ao fim e ao cabo, a quantidade de livros sempre excede o espaço que lhe foi dado.

Para enfrentar o volume crescente de livros (e nem sempre pensando em sua qualidade), os leitores recorreram a todo tipo de expedientes dolorosos: amputar seus tesouros, formar fileiras duplas, excluir assuntos inteiros, presentear as brochuras, mudar de endereço e deixar a casa para os livros.

The Library at Night (2006) no Brasil é traduzido por Samuel Titan Jr. e publicado pela Companhia das Letras (2006). De leitura rápida, leve e agradável, sem ser superficial, o livro entrega o que promete: uma história das bibliotecas com a qual qualquer colecionador é capaz de se identificar.

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