The Dragon Reborn (Wheel of Time, #3)The Dragon Reborn
por Robert Jordan

Minha classificação: 5 de 5 estrelas

“Men! They always say to send for them if you need them, but when you need one, you need him right them.”

Enquanto o protagonista da série tenta lidar com a possibilidade (sim, pois ele ainda duvida) de ser o Dragão Renascido, acompanhamos outros personagens, o que permite um maior envolvimento com cada um deles.

Nos dois primeiros livros Rand é de longe o principal PoV (ponto de vista) da história. No começo de Dragon Reborn, o terceiro da série, confesso que me decepcionei, pois Rand aparece nos capítulos iniciais, meio surtado com a situação toda, e só retorna nas cenas finais para “resolver a parada”. Ainda assim fica difícil saber o que ele realmente sente ou pensa. De um personagem com o qual nos sentimos íntimos nos dois primeiros livros, ele se torna um tanto distante e totalmente errático. Mas isso faz perfeito sentido, afinal ele não é mais o camponês Rand Al’Thor, mas o Dragão Renascido. Até mesmo seus amigos não o vêem mais como ele mesmo, o que dá um tom meio triste à história. O comportamento de Rand nos dois primeiros livros surpreende positivamente, mas ao se dar conta de quem ele é e do que se espera de seu destino, Rand acaba deixando a desejar em termos de atitude. O próprio Lan diz a ele no começo: “Put yourself together, sheepherder”.

Seguimos mais de perto os dois outros ta’veren, Perrin e Mat. Nos livros anteriores Perrin não me despertou interesse, mas os capítulos dele como PoV foram muito mais interessantes, especialmente depois da chegada de um novo personagem. Um pouco de romance nunca faz mal, especialmente se for bem desenvolvido. Mat ganha bastante destaque neste volume, e seus capítulos foram os mais divertidos e surpreendentes. Com Rand tendo suas crises existenciais (tudo indica que continuarão), Mat tem tudo para se tornar meu preferido. O “poder” que ele parece ter é um dos mais legais e empolgantes. Ele o tempo todo fala para si mesmo que é egoísta, que só quer saber de si mesmo, mas suas ações contam uma outra história.

A história se desenvolve bastante no núcleo feminino, com Nynaeve, Egwene e Elayne em Tar Valon. O arco delas promete, pois estão cada vez mais poderosas. Egwene, em especial, possui o dom do sonho, e as mudanças entre as cenas dela acordada e dormindo são bem interessantes, assim como a iniciação dela na Torre Branca, que foi de cortar o coração. Entretanto, para uma garota cujo maior medo está sempre relacionado a Rand, ela parece muito desapegada romanticamente em relação a ele, e isso para mim faz com que a personagem não pareça muito real. Veremos no que vai dar esta dinâmica, pois Rand continua a vendo como prometida, mas ela sequer cogita a possibilidade deles ficarem juntos, já que ele é o Dragão. Por outro lado, fica claro o interesse tanto de Min (que só aparece no começo do livro) e de Elayne por Rand. Interesse que parece ser recíproco, ainda que totalmente injustificado até aqui. Enquanto Min tem as melhores falas e provavelmente ganhará destaque nos próximos livros, Elayne está bem sem função na história ainda, apesar de que há uma cena (envolvendo uma disputa entre Egwene e Nynaeve) em que ela tem uma reação bem inesperada, e que adorei. Fora isso, tudo que ela faz é contar a todos quem é, de forma bem inconsequente.

Em Dragon Reborn mais uma vez temos uma história que caminha para uma cena final, mas nunca sabemos o percurso e o resultado que nos será apresentado por Robert Jordan. Aqui os principais personagens rumam, em trajetos diferentes, para um encontro que ocorre no clímax do livro, e deixa as bases prontas para o próximo volume (gigante).

O autor possui uma forma peculiar de narrar, a seu tempo e ritmo, cada etapa, e esta é a característica que mais me atrai na narrativa, pois permite que nossa mente viaje nas descrições minuciosas de cada cena.

Por fim, The Wheel of Time apresenta um subtexto interessante sobre as diferenças entre os universos feminino e masculino. Está presente até mesmo no sistema de magia, com saidin (a parte masculina) e saidar (a parte feminina), que constituem a força motriz do universo. Nas relações entre os personagens o tempo todo há uma referência de suas visões sobre o que é ser homem e do que é ser mulher, de como cada gênero age, suas qualidades e defeitos. Por exemplo, quando o querido Thom Merrilin fala:

Any fool knows men and women think differently at times, but the biggest difference is this. Men forget, but never forgive; women forgive, but never forget.

As mulheres de Robert Jordan são corajosas, independentes, arrogantes e autoritárias, o que gera algumas críticas. No entanto, são um ótimo contraponto a uma representação bem frágil comum às figuras femininas em livros de fantasia. Como a própria Nynaeve diz quando Mat se oferece para salvá-las se elas precisarem,

“Men! They always say to send for them if you need them, but when you need one, you need him right them.”

As personagens femininas de Robert Jordan não aguardam serem resgatadas. Elas possuem atitude, fazem sim muitas coisas de forma atrapalhada e impensada, mas são um refresco aos olhos dos leitores de fantasia. Podem ser vistas como simples megeras, ou como uma grande galeria de heroínas.

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